Trabalhador morre após choque elétrico em Quissamã, mas corpo não passa por exame no IML

Robert Batista Carvalho Cozenço chegou a ser socorrido após o acidente, mas não resistiu

Robert Batista Carvalho Cozenço, de 28 anos, trabalhava como eletricista e sofreu o acidente durante o expediente em uma fábrica da Macuco, em Quissamã. Reprodução

A morte de um trabalhador de 28 anos após um choque elétrico durante o expediente levanta questionamentos sobre os procedimentos adotados depois do acidente ocorrido em uma fábrica da Macuco, em Quissamã, no Norte Fluminense.

Robert Batista Carvalho Cozenço era eletricista e trabalhava para a B&M Serviços Especializados, empresa terceirizada que prestava serviço para a Macuco. O acidente aconteceu na terça-feira (22). Ele chegou a ser socorrido e levado para atendimento médico, mas não resistiu.

Segundo informações obtidas pela reportagem, após a morte, o corpo não foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), órgão responsável pela realização de exames médico-legais em casos que precisam de investigação sobre as circunstâncias da morte. O IML de Macaé informou que não recebeu comunicação policial sobre a ocorrência.

Também não houve, segundo as informações apuradas, exame médico-legal no corpo nem perícia no local do acidente antes da liberação para o sepultamento. A declaração de óbito foi emitida por um médico do hospital onde Robert recebeu atendimento.

Em casos de morte decorrente de causa externa, como um acidente provocado por choque elétrico, a investigação médico-legal pode ajudar a esclarecer a causa e as circunstâncias da morte. A perícia pode contribuir para a análise das lesões, da dinâmica do acidente e das condições em que o trabalho era realizado.

A ausência desses procedimentos, neste caso, é um dos pontos que permanecem sem esclarecimento. A reportagem procurou a 130ª Delegacia de Polícia de Quissamã para saber se a unidade foi comunicada sobre a morte, se existe investigação sobre o acidente e quais procedimentos foram adotados após o óbito. A delegacia não respondeu até a publicação.

 

Trabalhador era natural de Nova Friburgo

Robert nasceu em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, e morava em Cordeiro, também na Região Serrana. Ele completaria 29 anos em outubro.

Ao longo da vida profissional, trabalhou em diferentes atividades, entre elas como eletricista, motorista de furgão e demonstrador de mercadorias. A B&M Serviços Especializados era uma das empresas pelas quais passou.

Amigos descreveram Robert como um jovem ligado à família e à rotina de trabalho. Ele deixa os pais, Roberto Carlos Fernandes Cozenço e Rosane Batista Cozenço, além da irmã Michele e da sobrinha Maria Clara.

Após a morte, familiares e amigos se despediram do trabalhador. O velório e o sepultamento foram realizados nesta quarta-feira (23), em Macuco, na Região Serrana do Rio.

 

Manifestação das empresas

A Macuco divulgou uma manifestação de pesar pela morte de Robert e informou que não haveria expediente nesta quarta-feira (23), em respeito à memória do trabalhador.

A B&M Serviços Especializados, empresa para a qual Robert trabalhava, também publicou uma nota lamentando a morte.

A reportagem procurou as empresas para obter informações sobre as circunstâncias do acidente, os procedimentos de segurança adotados no momento do trabalho e as medidas tomadas após a morte. As manifestações recebidas serão acrescentadas à matéria.

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